Por Brunno Lemos
Falar sobre a história recente da música brasileira no cenário internacional é, inevitavelmente, falar sobre Anitta. Nascida no Rio de Janeiro como Larissa de Macedo Machado, a artista construiu uma trajetória marcada por ousadia, estratégia, talento e uma capacidade rara de transformar o funk carioca em um produto cultural global.
Mais do que alcançar números impressionantes, Anitta se consolidou como uma das artistas que mais representaram o Brasil internacionalmente, levando a cultura brasileira, a música urbana e elementos da identidade nacional para os maiores palcos do mundo.
O início de uma revolução musical
A carreira da cantora ganhou projeção nacional em 2013 com o sucesso “Show das Poderosas”. O hit apresentou ao país uma artista carismática, performática e com forte identidade visual.
Na época, o funk ainda enfrentava forte preconceito social e cultural. O gênero, originado nas periferias do Rio de Janeiro, raramente era associado ao mercado internacional.
Anitta mudou esse cenário.
A internacionalização do funk
Com visão estratégica e domínio das redes sociais, a artista iniciou um processo de internacionalização da carreira que acabou mudando também o destino do funk brasileiro.
Cantando em português, espanhol e inglês, Anitta passou a colaborar com nomes internacionais como:
- Madonna
- Cardi B
- J Balvin
- Maluma
- The Weeknd
O movimento abriu portas para que o funk alcançasse espaços antes inimagináveis na indústria global.
O funk brasileiro no topo do mundo
Em 2022, Anitta entrou para a história ao se tornar a primeira artista brasileira a alcançar o topo do ranking global do Spotify com “Envolver”.
O feito marcou um momento histórico para a música brasileira e consolidou o funk como um gênero de alcance mundial.
“Equilivrium”: espiritualidade, identidade e maturidade artística
Em seu mais recente projeto, o álbum “Equilivrium”, Anitta apresentou uma fase mais introspectiva, conectada à espiritualidade, à ancestralidade e ao equilíbrio emocional.
O trabalho mistura pop, funk, afrobeat e ritmos latinos, trazendo letras que falam sobre autoconhecimento, liberdade, energia e transformação pessoal.
O álbum também reforça referências às religiões de matriz africana, tema que a cantora passou a abordar com mais naturalidade e respeito nos últimos anos. Anitta já declarou publicamente sua ligação espiritual com práticas afro-brasileiras e frequentemente utiliza símbolos ligados à ancestralidade e proteção espiritual em projetos visuais e performances.
Especialistas apontam que essa postura ajuda a ampliar o debate sobre intolerância religiosa e contribui para maior visibilidade e respeito às religiões afro-brasileiras.
Participações e referências no álbum
“Equilivrium” conta com participações de artistas nacionais e internacionais, ampliando a diversidade sonora do projeto.
Entre as referências musicais presentes no álbum estão:
- ritmos afro-brasileiros;
- música eletrônica;
- funk carioca;
- pop latino;
- elementos percussivos ligados às raízes africanas.
O projeto também apresenta uma estética visual mais conceitual, reforçando a busca por equilíbrio entre fama, espiritualidade e identidade cultural.
Reconhecimento internacional
Ao longo da carreira, Anitta acumulou dezenas de prêmios e indicações importantes:
- MTV Video Music Awards
- MTV Europe Music Awards
- Billboard Latin Music
- Prêmio Multishow
- Latin Grammy
Além de se apresentar em festivais internacionais como Coachella e Global Citizen Festival.
Uma representante do Brasil no mundo
Especialistas da indústria musical consideram Anitta uma das artistas mais importantes da música brasileira contemporânea.
Ela conseguiu exportar a cultura brasileira sem abandonar suas raízes, levando:
- o funk carioca;
- a estética das periferias;
- a dança brasileira;
- referências culturais afro-latinas;
- a força da mulher brasileira.
Sua trajetória abriu caminho para novos artistas brasileiros no mercado internacional.
Um legado além da música
Mais do que cantora, Anitta se tornou um fenômeno cultural e empresarial.
Sua carreira simboliza:
- representatividade;
- empreendedorismo;
- valorização da cultura periférica;
- internacionalização da música brasileira;
- respeito à diversidade cultural e religiosa.
Hoje, o nome de Anitta é visto como um divisor de águas para o funk e para a música pop brasileira.
Ela não apenas conquistou espaço no mundo — ajudou a reposicionar o Brasil dentro da indústria musical global.
