Por Brunno Lemos – Especial para Rádio Domm
A noite de 13 de novembro de 2025 ficará marcada na história da música brasileira e da representatividade artística quando Liniker, cantora e compositora de Araraquara, subiu ao palco do Latin Grammy para receber três novos troféus, elevando seu total de premiações para quatro e se tornando a mulher trans com mais Latin Grammys da história.
O álbum Caju (lançado em 2024) foi premiado e reconhecido em várias categorias: entre elas, “Melhor Álbum de Música Popular Brasileira” e “Melhor Álbum de Língua Portuguesa Pop Contemporânea”.
Além disso, a música “Veludo Marrom”, de sua autoria e gravação, foi agraciada com o prêmio “Melhor Canção em Língua Portuguesa”.
Durante seu discurso de aceitação, Liniker dividiu sua fala entre português, inglês e espanhol, reafirmando que a música é uma ferramenta de afirmação, pertencimento e liberdade — temas centrais de sua trajetória.
Para a comunidade brasileira no exterior, especialmente entre os que vivem em Londres, Londres e outras capitais internacionais, essa conquista tem impacto simbólico profundo. Representatividade importa — e Liniker transcende o rótulo de artista para se tornar referência de visibilidade, talento e ruptura de barreiras sociais.
Artisticamente, Caju surpreende por sua sonoridade rica: Liniker mescla soul, samba, R&B e estética contemporânea com arranjos refinados, letras que falam de afeto, identidade e liberdade, e uma produção em que ela mesma assinou junto a Fejuca e Gustavo Ruiz.
A vitória também reafirma a força da música brasileira em palcos globais, reforçando que nossa produção cultural, quando aliada a autenticidade e coragem estética, encontra reconhecimento e eco internacional.
Além da festa pessoal de Liniker, o momento carrega significado coletivo: artistas independentes, corpos LGBTQIA+, negros e periféricos veem em sua trajetória inspiração concreta de ocupação de espaços antes inacessíveis.
Como jornalista que acompanha de perto o cenário musical latino-brasileiro, é emocionante ver que uma artista que começou em Araraquara, vindo de trajetória de resistência, agora leva ao palco mundial uma mensagem de valor, cuidado e arte plural.
Liniker não levou apenas prêmios: levou consigo as histórias, dores e alegrias de muitos que encontram na música um lugar para existir. E com essa conquista renovada, o caminho para as próximas gerações já está mais iluminado.
